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A comunidade cristã que prevalece no Iraque

 

Após dez anos da invasão do Estado Islâmico, cristãos são sal e luz em cidades no Iraque

Após dez anos da ascensão do Estado Islâmico, é seu apoio que ajuda cristãos no Iraque a se manterem de pé. Por uma década, nossos irmãos na fé precisaram resistir ao trauma e ao terror da violência do grupo radical. Mas seu apoio em oração e as doações permitem que eles encontrem esperança e mantenham a presença cristã que estava perto de desaparecer no país.  


A planície de Nínive, que corresponde na modernidade ao Norte da 
cidade de Mosul, é uma das regiões que mais chamam atenção na nação. O local, alcançado por Jonas, conforme os relatos bíblicos, se tornou uma região em que se concentram cristãos perseguidos. Ainda hoje, a língua na planície de Nínive é o aramaico, a mesma usada por Jesus. É curioso pensar que uma região histórica tão conhecida, onde os cristãos viveram por anos, hoje precisa de socorro urgente para que a presença cristã não desapareça.  


Igrejas, monastérios e instituições cristãs, algumas construídas no século 4 d.C., se tornaram fábricas e prédios comerciais após a invasão do Estado Islâmico. Todas as cruzes nas igrejas foram retiradas e alguns templos foram usados para armazenar munição ou até mesmo como base de ataque dos radicais. As pessoas 
foram obrigadas a fugir, levando apenas a roupa do próprio corpo e documentos de identidade. Elas só enxergavam um futuro incerto e muitas foram mantidos em cativeiro pelo grupo extremista na planície de Nínive e ainda hoje estão desaparecidas. 

Mais do que a ajuda humanitária, parceiros locais da Portas Abertas foram representantes da presença de cristãos do mundo todo em união com os cristãos perseguidos no Iraque. Eles organizaram treinamentos e distribuíram literatura cristã para fortalecer a igreja fragilizada durante uma década.  


Além disso, socorreram mais de 15 mil famílias cristãs deslocadas internas, totalizando 60 mil vítimas socorridas. “A situação não foi fácil para nós, e a Portas Abertas fez o melhor que pôde para socorrer as pessoas e ajudar as igrejas. Entregamos 25 mil Bíblias para os que perderam suas Bíblias durante a invasão e isso permitiu que eles se reaproximassem de Deus em meio à dor”, explica Shifaa (pseudônimo), um parceiro local. 
 


“No inverno, entregamos cobertores, aquecedores e roupas. Por dois anos e meio também oferecemos mensalmente alimento para mais de 15 mil famílias e ajuda médica para os doentes. Nosso objetivo é apoiar a igreja em meio ao sofrimento. Tentamos mostrar que cristãos do mundo todo se importam com eles, que não estão sozinhos, estamos conectados como corpo de Cristo”, acrescenta Shifaa.
 


Estima-se que, em 2003, 1,5 milhão de cristãos viviam no Iraque. Hoje, o número é menos que 200 mil, sendo 25 mil na planície de Nínive. Muitos deles estão voltando para casa e se veem confrontados com a devastação deixada para trás. A possibilidade de que a presença cristã desapareça do Iraque é muito grande, mas Deus tem outros planos.

“Depois da libertação, as cidades começaram a ser reconstruídas aos poucos. A Portas Abertas contribuiu com 2.283 casas e continua a oferecer cuidados pós-trauma e cursos profissionalizantes nas igrejas históricas que se tornaram Centros de Esperança”, conta o parceiro local.  


“Dizer obrigada é pouco. Vocês nos ajudaram, estiveram conosco, nos encorajaram e isso me ajudou a recomeçar”, diz 
Farah, uma cristã local. Rivan, um jovem de 30 anos que foi apoiado pelo projeto de geração de renda também agradeceu e usou os recursos que recebeu para começar uma pequena roça que sustenta sua família.  


Graças a você, a vida tem retornado à planície de Nínive e a todo o Iraque. A resiliência, a fé e a lealdade dos cristãos que escolheram permanecer no Iraque e manter a igreja são evidências dos frutos da conexão que temos com eles, mesmo a quilômetros de distância, mas unidos no propósito de adorar a Deus. A presença cristã no Iraque não foi destruída e, pela graça de Deus, nunca será. 
 


Fonte: Portas abertas

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